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Asma crônica

Eficácia na profilaxia

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Modificadores de leucotrienos mostram eficácia na profilaxia da asma crônica

 No rol das doenças crônicas, a asma é uma das doenças que mais preocupa os especialistas atualmente, pois apresenta aumento de prevalência nas últimas décadas e alta incidência de morbidade e até mortalidade. Entretanto, grande parte de seus portadores ainda não foi diagnosticada. “Frequentemente os sintomas da asma são confundidos com doenças virais e a maioria dos pacientes se trata apenas no momento da crise. Uma avaliação recente da doença, feita na América Latina, mostrou que cerca de 18 milhões de brasileiros têm asma. Mais da metade desses doentes não se trata como deveria e apenas 5% mantêm a doença sob controle. Portanto, a desinformação constitui um entrave para o controle dessa doença que causa mais de 350 mil internações hospitalares por ano no Brasil, sendo a terceira causa de internação pelo SUS”, declara o Dr. Sérgio Saldanha Menna Barreto, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

Apesar de ser uma doença que não tem cura, a asma pode involuir espontaneamente com o passar do tempo. “Quando a asma se manifesta na infância, ao redor dos cinco anos, pode seguir caminhos diferentes: continuar se manifestando, involuir ou atenuar e na idade adulta voltar a aparecer”, informa o Dr. Menna Barreto.

No entanto, ele explica que no que diz respeito à ação do médico, a asma pode ser bem controlada. O tratamento adequado permite que os pacientes tenham uma vida produtiva e ativa. “Por ser considerada uma doença inflamatória, a asma deve ser manejada com medicamentos que atuam no processo inflamatório, como os corticoides inalatórios, que agem na mucosa brônquica, reduzindo a hiper-responsividade brônquica. Essa medicação é a mais eficaz para o controle da doença, mas não tem ação na crise. Deve ser utilizada de forma regular e diária no período intercrises, para poder diminuir a freqüência e a intensidade das crises de asma.”

Na opinião do Dr. Menna Barreto, a mudança de conceito na forma de abordar a asma, considerando-a como uma doença inflamatória, representou uma grande evolução. “Antes o paciente era tratado no momento de crise e depois ficava sem medicação. Com este conceito do substrato inflamatório, presente mesmo fora de crises, o tratamento foi deslocado também para o período intercrises, feito com antiinflamatórios, como os corticoides e os moduladores de leucotrienos. Além dos cuidados com a agressão do meio ambiente e o tratamento complementar de infecções das vias aéreas superiores (rinites e rinossinusites) e processos alérgicos.”

Profilaxia

De acordo com o Dr. Menna Barreto, fazer a profilaxia da asma significa controlar seu processo inflamatório, fazendo com que os brônquios se tornem menos reativos e menos susceptíveis aos fatores desencadeantes de crises (infecções das vias superiores, viroses, variações de temperatura, excesso de exercícios, excessos alimentares, carga alergênica etc.). “O mais importante é manter um tratamento adequado, que controle o substrato inflamatório, usando os corticoides ou os moduladores de leucotrienos, que têm ação importante no processo inflamatório”, afirma o médico.

Nesse sentido, o Dr. Menna Barreto lembra que a fisiopatologia da asma é de uma cascata inflamatória. “A ativação das células inflamatórias libera mediadores inflamatórios constantemente e entre esses mediadores estão os leucotrienos, que são associados aos danos de células epiteliais e aumento da permeabilidade microvascular, levando a edemas das vias aéreas e à excessiva produção de muco; além de serem potentes broncoconstritores. Por isso, os antagonistas dos leucotrienos ligam-se com alta afinidade aos receptores dos leucotrienos, bloqueando a inflamação determinada por esses mediadores. Para um determinado grupo de asmáticos, os moduladores de leucotrienos podem ser significativamente benéficos, até poupando a administração de corticoides.”

O pneumologista comenta ainda que, para os pacientes que têm a linha dos leucotrienos como peça fundamental da cascata inflamatória, os moduladores de leucotrienos são muito eficazes e ajudam bastante no controle da asma. “O modulador de leucotrieno mais comercializado atualmente no Brasil é o montelucaste sódico, uma ótima alternativa para o tratamento da asma. Uma das vantagens dessa medicação é a possibilidade de dose única diária por via oral, que é prática e facilita a adesão do paciente ao tratamento, pois os pacientes acabam relaxando no uso dos corticoides inalatórios. Os resultados que tenho tido com alguns pacientes utilizando o montelucaste sódico são na maior parte das vezes excelentes, não só como droga única (dependendo da gravidade do caso), mas também poupando e reforçando o uso de corticoides.”

Adesão

A maior dificuldade que os especialistas encontram no manejo da asma é a adesão do paciente ao tratamento. Segundo o Dr. Menna Barreto, os estudos epidemiológicos mostram que menos de 10% dos pacientes são adequadamente tratados. “A interação do paciente com o médico é muito particular. O paciente asmático, de certa forma, é inconformado com sua condição e, como no geral as manifestações são leves ou moderadas, valoriza mal os sintomas. Quando é bem tratado e consegue controlar o problema, acredita que não tem mais a doença e no decorrer do tempo relaxa nas consultas médicas, nas verificações objetivas de avaliações de funções pulmonares clínicas e na medicação.”

O médico conta que isso não costuma ocorrer com portadores de outras doenças crônicas. “O diabético, por exemplo, não deixa de tomar seus medicamentos por estar equilibrado. Mas o asmático tem essa característica particular e quando a asma volta ele perde a confiança na medicação e no médico, sem se dar conta de que a responsabilidade é dele, por ter abandonado o padrão de tratamento”, conclui o Dr. Menna Barreto.     

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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