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Combinações fixas aumentam eficácia do controle da hipertensão

A associação de medicamentos sinérgicos aumenta a eficácia do tratamento e melhora o perfil de tolerabilidade de medicamentos utilizados no controle da hipertensão arterial. Por facilitar a administração dos fármacos, as combinações fixas podem ainda beneficiar a adesão do paciente.

 Os especialistas estimam que no Brasil apenas 10% dos portadores de hipertensão arterial mantenham a doença sob controle. A situação não é melhor em outros países do mundo, onde o maior índice de controle chega a 30%. Uma das dificuldades de manejo está no fato de a doença não apresentar sintomas. Além disso, quando o paciente começa a sentir os efeitos não desejados da medicação, geralmente abandona o tratamento.

“A hipertensão é uma doença crônica, que exige a administração diária de medicamentos. Essa também é uma questão importante, porque quanto mais fácil é a tomada dos remédios, mais o paciente adere ao tratamento”, acrescenta o Dr. Wille Oigman, professor titular de Clínica Médica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e membro da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH).

De acordo com ele, o controle da hipertensão arterial está longe de atingir as metas adequadas, e os especialistas encontram dificuldades para abaixar a pressão dos pacientes. Nesse cenário, as combinações medicamentosas surgem como uma boa estratégia. “As combinações são um avanço no tratamento da hipertensão. A doença envolve vários mecanismos diferentes e por isso é improvável que uma medicação possa resolver sozinha o problema. Na realidade, as combinações foram projetadas para atingir, através de diferentes fármacos, esses mecanismos e, assim, abaixar a pressão do paciente”, explica.

O médico conta ainda que o uso da monoterapia no tratamento da hipertensão  pode atingir no máximo de 50 a 60% de eficácia, no caso de pacientes em estágio 1, ou seja, com até 160 por 100 de pressão. “Como precisávamos aumentar a eficácia do tratamento, ou seja, reduzir mais a pressão arterial, a princípio foi proposto que aumentássemos a dosagem da medicação utilizada. Era simples, o paciente já estava medicado, bastava aumentar a dose. Entretanto, percebemos que os efeitos benéficos eram aumentados em apenas 20% e os efeitos adversos apareciam mais. Foram propostas, então, as combinações de fármacos sinérgicos, que tivessem ações complementares. Essas associações aumentaram a eficácia do tratamento em mais de 60%, podendo-se agora controlar de 70 a 80% dos hipertensos, mantendo o perfil de tolerabilidade”, comenta o Dr. Oigman.

Na opinião do especialista, as combinações originais, feitas com dois tipos diferentes de diuréticos ou com um diurético + um betabloqueador são eficazes, mas em longo prazo trazem alterações metabólicas. “Hoje sabemos que a questão metabólica é muito importante, especialmente nos casos de diabetes. As associações mais modernas e mais desejáveis de fármacos são: inibidor de enzima conversora de angiotensina (ECA) + antagonista do cálcio e bloqueador de receptor de angiotensina (BRA) + antagonista do cálcio. As combinações de diurético + inibidor da ECA e diurético + bloqueador de angiotensina também não devem ser menosprezadas”, afirma.

O Dr. Oigman destaca ainda a utilização do anlodipino. “Em geral as combinações mais eficazes são as que contêm inibidor de ECA + antagonista do cálcio, ou bloqueador do receptor de angiotensina + antagonista do cálcio; melhor ainda é quando usamos o anlodipino, que é um medicamento da classe dos antagonistas de canais de cálcio muito potente. A associação de um fármaco potente, como o anlodipino, com um BRA, que além de abaixar a pressão intervém no sistema renina e apresenta uma tolerabilidade excepcional, é muito útil no tratamento da hipertensão”. O especialista afirma ainda que a combinação de anlodipino + betabloqueador é também eficaz, principalmente podendo ser uma boa opção para pacientes hipertensos com doença arterial coronariana

Além de poder diminuir os efeitos indesejáveis do anlodipino, o inibidor da ECA e o bloqueador do receptor de angiotensina têm uma ação dupla, agindo sobre o sistema renina, que é deletério ao sistema cardiovascular. “Além disso, abaixa a pressão, tirando o componente aspecto mecânico e hormonal do sistema renina”, conta o médico.

Indicações

Para o especialista, na hora de indicar um medicamento para o paciente hipertenso, o médico deve primeiro preocupar-se em abaixar os níveis da pressão arterial, depois deve considerar a existência de alguma alteração metabólica. “Se houver alteração metabólica, evito utilizar medicamentos que contenham diuréticos, porque em longo prazo esses medicamentos podem dificultar o metabolismo da glicose. No caso do paciente diabético, o diurético deve, a princípio, ser evitado”, diz.

No caso de pacientes que já apresentem alterações decorrentes da hipertensão (p. ex hipertofia ventricular esquerda, algum grau de comprometimento renal) ou que já tiveram uma complicação da doença (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral), a combinação do bloqueador do receptor de angiotensina + anlodipino seria a mais indicada, segundo o Dr. Oigman. “Os estudos feitos no Brasil mostram que, com a utilização dessa combinação de fármacos, o controle da pressão arterial pode chegar a 75% das pessoas tratadas, sem que os pacientes apresentem alterações no metabolismo da glicose ou dos lípides.”

Outro cuidado que o médico deve ter na hora de prescrever a medicação é pensar na questão da adesão do paciente ao tratamento. Nesse quesito, as combinações fixas de medicamentos, fármacos que já estão misturados em uma única cápsula, levam vantagem. “Na realidade, se a medicação já estiver pronta, torna-se mais fácil de ser administrada pelo paciente. Acredito que, para a adesão, seria a melhor opção. Existe a alternativa dos packs, mas neste caso há a possibilidade de o paciente se confundir e tomar duas vezes o mesmo remédio em vez de fazer a combinação. A pior situação, porém, é quando os dois comprimidos têm que ser tomados separadamente”, relata o Dr. Oigman.

O médico conta ainda que, se o paciente apresentar pressão acima ou igual a 160 por 100, com freqüência, prescreve as combinações fixas de medicamentos. “Se a pessoa estiver com 140 por 90, começo o tratamento com a monoterapia. Se não resolver, passo para a combinação fixa.”

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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