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Hipertensão arterial pode ser tratada com combinações de drogas

Em curto prazo, a doença apresenta poucas consequências.

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Hipertensão arterial

Classicamente, o diagnóstico de hipertensão arterial é realizado através da medição da pressão arterial, e a doença é caracterizada quando são encontrados valores acima de 140/90mmHg.

Os fatores ambientais de risco para o seu desenvolvimento são o uso de sal, a obesidade, o diabetes melito e a idade. Já os fatores genéticos estão relacionados à etnia negra e à existência da doença nos pais. “Indivíduos que têm pai e mãe hipertensos têm uma chance de 90% de desenvolverem a condição. Se apenas um deles tiver a doença, a probabilidade diminui para 50% e, quando nenhum dos pais é hipertenso, as chances diminuem para 20%”, afirma o Dr. Rui Póvoa, chefe do Setor de Cardiopatia Hipertensiva e Cardiologia Experimental da Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM).

A prevalência da doença no Brasil e no mundo é semelhante, variando entre 20 e 30%, mas pode haver diferenças maiores. “Um estudo científico publicado  revelou que cerca de 45% da população portuguesa é hipertensa. Mas em linhas gerais, 1/3 da população mundial apresenta a doença”, afirma o Dr. Póvoa. “A prevalência também varia de acordo com a faixa etária. Normalmente, ela começa a surgir aos 40 anos de idade e, na faixa dos 70, cerca de 50% das pessoas são hipertensas. Mas atualmente, com o aumento da obesidade entre as crianças, a prevalência da hipertensão infantil tem aumentado cada vez mais”, explica.

Em curto prazo, a doença apresenta poucas conseqüências. Em longo prazo, no entanto, os danos são graves. “Como o fumo, o diabetes e o sedentarismo, a hipertensão é um fator de risco para o desenvolvimento de todas as doenças cárdio-cérebro-vasculares, como aterosclerose, angina, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência vascular periférica”, afirma o Dr. Póvoa. “Por esse motivo, é importante que o paciente passe por monitoração ambulatorial constante. O indivíduo hipertenso em tratamento morre muito menos dessas doenças”, diz ele.

Tratamento

A hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada, tendo que ser tratada pelo resto da vida. As estratégias são definidas de acordo com os níveis de pressão arterial. Nos indivíduos em que ela está acima de 140/90mmHg e abaixo de 170/100mmHg e em que não há a presença do diabetes e lesão do órgão-alvo, opta-se pela modificação do estilo de vida. “O paciente terá que emagrecer, diminuir a quantidade de sal ingerida e cessar o tabagismo. De três a seis meses depois, é realizada uma reavaliação”, afirma o Dr. Póvoa.

Se a pressão tiver diminuído, a modificação do estilo de vida é mantida. Nos pacientes em que os resultados não forem bons ou que apresentarem pressão arterial superior a 140/90 mmHg, além da manutenção da modificação dos hábitos, é iniciada a terapia medicamentosa. “Existe uma quantidade enorme de medicamentos. Todos são extremamente seguros, com quantidades mínimas de efeitos colaterais. As principais classes são os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de cálcio, os inibidores da enzima conversora de angiotensina, os diuréticos tiazídicos e os bloqueadores AT1”, diz o Dr. Póvoa.

Para ele, não existe uma droga de primeira escolha. “De acordo com a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, pode-se usar qualquer uma delas. Se o paciente não tiver comorbidades, a escolha pode ser aleatória ou obedecer a questões como o custo. Atualmente, os mais acessíveis são os diuréticos e os betabloqueadores”, afirma ele.

“Se houver, no entanto, comorbidades ou outras doenças que possibilitem determinados comportamentos, a droga é determinada de acordo com a condição clínica do paciente. Por exemplo, no caso de um infarto do miocárdio, um betabloqueador é o mais indicado, pois é bom para as duas condições. Mas, se o paciente tiver asma, ele não poderá usar um betabloqueador”, explica o Dr. Póvoa.

Se a droga escolhida não apresentar resultados, é realizada uma associação a uma segunda substância. “A monoterapia diminui a pressão arterial em, aproximadamente, 40% dos casos. Já o uso combinado de duas ou mais drogas tem bons resultados em 80% dos pacientes”, diz o cardiologista. “Não existe um critério para a combinação. Os cardiologistas preferem adicionar diuréticos como a segunda droga. Pessoalmente, considero que a melhor combinação é a de betabloqueador com diurético, pois além de serem substâncias com resolução muito boa, têm bom custo. É necessário lembrar que a terapia é para o resto da vida, e um paciente pobre não poderá comprar drogas muito caras”, afirma o Dr. Póvoa.

Apesar de não haver critérios em relação ao tipo das drogas, há um critério sobre o tempo de ação. “O ideal é que elas ajam por 24 horas. Afinal, é muito difícil ingerir os mesmos medicamentos várias vezes ao dia durante um período muito grande de tempo”, diz o cardiologista.

No caso de a combinação não produzir resultados, é adicionada uma terceira, ou até uma quarta droga. Nessa situação, o cardiologista deve obedecer aos seguintes critérios: as novas substâncias devem ser de classes farmacológicas diferentes das já utilizadas e, se ainda não estiver sendo usado um diurético, a droga deve ser incluída no tratamento. “Não importa qual. Há diversos tipos de diuréticos”, afirma o Dr. Póvoa.

Se a combinação de quatro drogas não exercer efeito, é necessária a pesquisa de uma causa secundária para a hipertensão. “Casos como esses podem ser causados por fatores como insuficiência renal, disfunção endócrina, ou, algumas vezes, até mesmo pelo uso de certos medicamentos”, afirma o Dr. Póvoa.

Além de enfrentar a hipertensão no cotidiano, o paciente pode passar por crises hipertensivas, quando a pressão alcança níveis muito elevados em pouco tempo, provocando disfunções nos órgãos-alvos. “Nesse caso, o cardiologista deve procurar saber qual é o ‘sobrenome’ da crise, ou seja, se está afetando artérias, se é um acidente vascular cerebral ou se é um infarto do miocárdio. Em seguida, são usadas drogas próprias para aquela condição”, diz o Dr. Póvoa.

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Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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