Saúde

Medicina e espiritualidade

Nova disciplina optativa foi introduzida no currículo da faculdade de Medicina

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Fé: um caminho para o bem-estar

Há alguns anos, a medicina, a fé e a religiosidade seguiam por caminhos distintos. Hoje, os fenômenos da fé despertam a atenção e a curiosidade de médicos e pesquisadores, que tentam descobrir como ela interfere no processo de cura das pessoas, fortalecendo o pensamento positivo e melhorando a qualidade de vida.

“Existem evidências de que as pessoas que têm fé aderem mais ao tratamento e evoluem melhor em alguns casos de doenças crônicas em comparação com as pessoas que não possuem religiosidade. Não sabemos como, mas de alguma forma a fé promove a saúde”, diz o Dr. Francisco Lotufo Neto, professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

De acordo com ele, nos últimos 15 anos houve um grande aumento do interesse pelo tema e muitos trabalhos científicos foram realizados, principalmente nos Estados Unidos. “Todas as pesquisas investigam, em primeiro lugar, se o fato de acreditar em algo ou praticar alguma religião traz benefícios à saúde das pessoas. E parece que traz mesmo. Até agora já foram identificados 30 mecanismos diferentes de promoção da saúde relacionados à religiosidade”, informa o Dr. Lotufo.

No entanto, para atuar positivamente na vida de uma pessoa, a fé não precisa estar ligada a uma determinada religião. “A questão não é a crença, mas a maneira pela qual se acredita em algo. A fé e a religiosidade criam esperança e isso ajuda no dia-a-dia dos pacientes”, explica o Dr. Lotufo.

Segundo o psiquiatra, o estilo de vida proposto por algumas religiões é um dos mecanismos implicados no bem-estar das pessoas. “Religiões que proíbem o fumo e a bebida em excesso, por exemplo, promovem a saúde e a qualidade de vida. Crer no amor incondicional de Deus já é uma maneira de promover a saúde mental. Mas é preciso tomar cuidado, porque também existem religiões que podem trazer prejuízos ao bem-estar, como as que pregam a peregrinação, atividade que pode aumentar os índices de acidentes involuntários, ou as que pregam o casamento entre familiares, aumentando o índice de nascimento de pessoas anãs”, acrescenta o médico.

Como diz o ditado, a fé move montanhas e até hoje os cientistas não podem explicar uma série de fatos implicados na cura e melhora de quadros graves. Por vezes, a fé e a religiosidade atuam como coadjuvantes no tratamento de algumas doenças, e assim fornecem a força de que o paciente precisa para seguir em frente com a terapia medicamentosa.

“Estimulo a pessoa a manter a fé ou a seguir sua tradição religiosa. Por outro lado, como algumas formas de religião podem ser prejudiciais, converso com o indivíduo, mas as decisões são sempre dele. Como já disse, o que importa é a maneira de viver a fé e a religiosidade, e não a crença em si”, comenta o Dr. Lotufo.

Nesse sentido, os pesquisadores contemporâneos concordam que a fé e a religiosidade podem ser complementos para a terapia medicamentosa, se o paciente estiver aberto a isso. A medicina e a fé podem caminhar lado a lado, desde que a crença em algo não substitua os medicamentos, que são importantes e, sem dúvida, necessários. Assim, essa união pode melhorar a aderência dos pacientes ao tratamento e proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Medicina integrativa

Apesar das opiniões acerca desse assunto serem controversas, a Medicina resolveu apoiar essa crença. Com o apoio desses conceitos, uma nova disciplina optativa foi introduzida no currículo da faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro: Medicina e Espiritualidade.

“Na Europa e nos Estados Unidos, cerca de 80% das faculdades já têm essa cadeira no currículo. No Brasil, ainda estamos devagar”, diz José Genilson Ribeiro, coordenador da disciplina na UFF. Também explica como funciona o ensino:

“Acreditamos que a doença começa na alma, instala-se no corpo físico, e que é preciso tratar o paciente de maneira integral. Não basta tratar o efeito da doença, mas os aspectos totais. Muitas pessoas têm mágoas e não conseguem perdoar. Isso as deixam presas em suas dores, o que dificulta a melhora física”, assegura.

Os professores que lecionam Medicina e Espiritualidade são guiados pela ideia de “medicina integrativa”, seguindo a proposta da Carta de Ottawa, de 1986, que tem o objetivo de contribuir com as políticas de saúde em todos os países, de maneira igualitária. De acordo com o documento, a verdadeira saúde é uma consequência do bem-estar físico, psicológico, familiar, social e espiritual.

Um ponto muito importante disso tudo é que os alunos têm a oportunidade de aplicar os conhecimentos sobre a disciplina fora das salas de aula. Eles podem atender pacientes gratuitamente pelo Núcleo de Estudos em Saúde, Medicina e Espiritualidade (Nesme) da UFF, local de trabalho de profissionais de medicina, psicologia, e arteterapia.

Carmita Abdo, psiquiatra, diretora da Associação Médica Brasileira (AMB) e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), diz que o ponto de vista da disciplina é comprovado, e contextualiza sua opinião:

“As emoções levam a modificações de substâncias no organismo. Quando liberamos ocitocina e endorfina, elas nos levam à melhora na imunidade e às sensações de bem-estar. O contrário ocorre com sensações negativas, que liberam substâncias que baixam a imunidade. Com o perdão não é diferente. Quando perdoamos alguém temos a sensação de alívio, de gratificação, o que é revertido em ocitocina”, diz.

Certamente essa é uma matéria muito importante para a formação de médicos mais conectados aos seus pacientes, capazes de promover não apenas uma cura física, mas também auxiliá-los na cura espiritual.

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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