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Fotoproteção: prevenção diária

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O conceito de fotoproteção inclui toda e qualquer medida que tente minimizar os efeitos nocivos provocados pela exposição solar. Os riscos da exposição ao sol envolvem danos relativos a reações químicas provocadas por radiação, ou danos actínicos, que podem ser agudos ou crônicos. “O mais importante, sem dúvida, é a fotocarcinogênese”, afirma o Dr. Sérgio Schalka, pós-graduando em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), assistente do Serviço de Dermatologia da Universidade Santo Amaro.

Segundo o Dr. Schalka, a relação com a exposição solar é bem conhecida em certos tipos de neoplasias, caso do carcinoma espinocelular e do carcinoma basocelular, o de ocorrência mais freqüente no corpo humano. No melanoma, esse elo não seria tão direto. Esses quadros desenvolvem-se em virtude, principalmente da radiação ultravioleta-B (UVB), também responsável pelo eritema solares e pela síntese da vitamina D. Com um comprimento de onda mais curto, sua ação fica restrita a epiderme, onde leva à lesão do DNA.

“A radiação ultravioleta-A (UVA), diferentemente, apresenta um maior comprimento de onda, penetrando profundamente na pele e gerando radicais livres. Esses, em última análise, irão desencadear o processo de degradação do colágeno e levar ao fotoenvelhecimento”, diz o médico.

O Dr. Schalka comenta que há um conceito geral, muito difundido entre geriatras, de que o uso excessivo de protetores solares poderia prejudicar a síntese de vitamina D. “Diversas linhas de trabalho apresentam resultados contrários a essa posição. O parecer da Academia Americana de Dermatologia é de que a fotoproteção não interfere nessa síntese”, defende. Ele explica que, no Brasil, o tema foi tratado em um estudo do Dr. Marcus Maia, em que dois grupos de pacientes – um em que foi aplicado protetor solar, e outro em que não – foram expostos ao sol. Análises realizadas em seguida revelaram que as quantidades de vitamina D eram iguais em todos os indivíduos.

 

Grupos de risco

De acordo com o Dr. Schalka, os indivíduos com menor produção de melanina (pele mais clara) são mais propensos a sofrer efeitos da exposição solar como os carcinomas espinocelular e basocelular e o fotoenvelhecimento. Aqueles com pele com quantidades maiores de melanina (pele mais escura), diferentemente, tendem a apresentar em freqüência maior o aparecimento de manchas. “É o caso do melasma (também conhecido por cloasma ou “mancha gravídica”, que não ocorre só na gestação), que apenas pode ser prevenido por uso de protetores solares opacos”, diz o dermatologista.

O dermatologista explica que é essencial que a proteção seja feita de maneira cotidiana. O fotoenvelhecimento, diz o médico, é desenvolvido em maior escala pela exposição diária e continuada. “A radiação UVA está presente durante todo o dia, e não é bloqueada por proteções como o vidro dos carros. Como não leva a um efeito agudo, o indivíduo não percebe os efeitos danosos. O quadro, no entanto, irá evoluir para o envelhecimento da pele”, diz o Dr. Schalka.

Em relação às neoplasias cutâneas, ele explica que o grau de ação da radiação UVB é muito mais significativo na exposição diária, mesmo que pequena, como o transportes de casa para o trabalho, do que em eventuais exposições prolongadas em momentos de lazer.

 

Fotoproteção

O padrão-ouro em termos de fotoproteção corresponde aos protetores tópicos, afirma o dermatologista. “Ainda não existem protetores sistêmicos, apesar de ser de conhecimento que doses altas de vitaminas C e E, administradas conjuntamente, podem aumentar a tolerância ao sol. As doses necessárias, no entanto, são inviáveis do ponto de vista da prática diária”, esclarece.

Os filtros solares são divididos em duas categorias: os filtros orgânicos, chamados anos atrás de filtros químicos, e os filtros inorgânicos, classificados antes como filtros físicos. Segundo o Dr. Schalka, as substâncias atuais proporcionam uma proteção contra as radiações UVA e UVB muito eficaz, e apresentam alergenicidade baixa com boa segurança, sendo recomendadas, inclusive, para a população infantil.

A lista de filtros tópicos disponível no mercado é extensa. Entre os filtros orgânicos, o Dr. Schalka cita o octilmetoxicinamato, com boa ação na faixa UVB, e a avobenzona, para proteção contra radiação UVA. “Entre os inorgânicos, temos o dióxido de titânio, que é um excelente filtro para a radiação UVB, e o óxido de zinco, considerado o padrão-ouro para proteção contra a radiação UVA”, afirma. Nova classe de filtros, com características mistas entre os orgânicos e inorgânicos, são capazes de promover excelnete cobretura do espectro UV, tendo como exemplo maior a molécula Tinosorb M.

De acordo com o dermatologista, deve ser dada preferência a filtros industrializados, uma que vez a manipulação dessas substâncias é extremamente difícil, produzindo muitas vezes produtos de baixa eficácia.

O índice de classificação mais utilizado para os filtros é o Fator de Proteção Solar (FPS), que determina o grau de proteção contra o eritema, ou seja, é relacionado à prevenção dos efeitos da radiação UVB. Um indivíduo que utiliza uma substância com FPS 30, por exemplo, está 30 vezes mais protegido contra a queimadura solar do que estaria se não utilizasse nenhum protetor. Segundo o Dr. Schalka, existem alguns métodos para determinar a proteção contra a radiação UVA, sendo o mais conhecido o persistent pigment darkening, ou PPD.

O Dr. Schalka explica que muitos filtros atuais são capazes de fornecer proteção imediata, mas que a recomendação tradicional é de que a aplicação seja realizada de 15 a 30 minutos antes da exposição. Ele também afirma que a quantidade aplicada deve ser próxima de 2mg/cm2, o que, em um adulto de 70kg, equivaleria à utilização de 40g do produto. “Poucos aplicam uma quantidade tão elevada, mas sem esse cuidado, não se chega ao FPS estipulado no rótulo”, comenta o dermatologista.

A reaplicação é outro tema polêmico, afirma o Dr. Schalka. Em condições laboratoriais, a fotoproteção é mantida por até oito horas, mas em ambientes de lazer, em que há contato com água, areia e outros fatores ambientais, essa duração pode ser menor. “Por esse motivo, recomenda-se na rotulagem a reaplicação após duas horas, por medida de segurança”, conclui ele.

 

 

Ana Sodré

Sentir-se bem em fazer o bem… Sou antes de tudo um ser humano que ama a vida e estou sempre em busca de um mundo melhor. Atuei nos últimos 30 anos como empresária e editora, destacando três grandes publicações, a Revista Médico Repórter e o Jornal Hipócrates, atingindo a classe médica. E, por 2 anos a Revista Aimè, voltada para o público gay masculino, com venda em banca no âmbito nacional, sendo também distribuída na Argentina e em Portugal. A repercussão foi muito positiva, do qual recebi um prêmio Mulher Excelência 2009 - CIESP. Ao receber o convite para ser parte do Instituto - “Eu Causo”, foi como um raio de sol iluminando o meu horizonte… Envolvida na saúde, ao longo destes anos me deparei com diversas situações, oras boas, outras nem tanto, porém algo sempre me chamou a atenção, a fragilidade do Ser Humano. Pude perceber de perto, o quanto estamos vulneráveis mediante uma doença, quer seja em causa própria, ou de alguém da família, um amigo... Com base nessa premissa, agarro este projeto com o mesmo propósito: contribuir, através da informação, para um melhor estar! Estarei comprometida a identificar os avanços da medicina em prol da saúde, em responder as demandas da população; e vendo como as pessoas se conectam mais, me engajarei para que cada um de vocês utilize este portal, na certeza que irão encontrar um espaço acolhedor e aglutinador, para que juntos, possamos alcançar um estado de felicidade. Eu escolhi cuidar! … Eu causo!… E você?

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